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Alvorada Perfil - Elis Regina, a mãe da MPB

• 22/01/2021 •

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Considerada a maior cantora brasileira de todos os tempos por muitos amantes e críticos de arte, é inegável que Elis Regina foi uma das pessoas que mais influenciou, e ainda influencia, a arte do país.

Com sua voz potente, presença de palco inigualável e um ouvido que tinha enorme precisão em reconhecer o potencial de grandes músicas, Elis foi chamada de “mãe da MPB” e, com composições de Tom Jobim, Adoniran Barbosa, Belchior, Gilberto Gil, entre muitos outros, em uma curta carreira, moldou a história da música brasileira para sempre.

 

INÍCIO DE CARREIRA

A Voz da Cultura - Tadeu Patrício: TRIBUTO A ELIS REGINA – 30 ANOS DE SUA  MORTE

Nascida em 17 de março de 1945 em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Elis Regina Carvalho Costa foi, desde a infância, muito apaixonada pela música e pelos cantores e cantoras que ouvia no rádio, cujas músicas cantarolava e cantava quando era possível. Quando tinha apenas 11 anos, começou a mostrar maior aptidão para o canto e, após dois anos de estudo, aos 13 já começou sua carreira como cantora na então Rádio Gaúcha, onde era chamada de “A Estrelinha”, por brilhar nos vocais mesmo com a pouca idade.

Em 1961, já na adolescência - após ficar conhecida por suas grandes interpretações na rádio, onde é consagrada como “Melhor Cantora da Rádio Gaúcha” por dois anos seguidos - a cantora mirim começa a se apresentar em bailes locais e assina seu primeiro contrato com a própria rádio, por onde grava seu primeiro LP, intitulado “Viva a Brotolândia”, que não chega a fazer grande sucesso nas vendas.

No ano de 1963, ainda com o contrato da Rádio, Elis grava seu segundo disco, que também tem as vendas decepcionantes, e volta a trabalhar fixamente como uma das cantoras da emissora. No fim do ano, um dos produtores da empresa consegue arranjar para que Elis se apresente no Festival do Teatro Álvaro Carvalho, em Florianópolis. Lá, a cantora conhece Armando Pittiglian, produtor do então maior selo musical do país que passava férias na cidade e que, após ouvir Elis cantando “Chão de Estrelas”, a convida para encontrá-lo no Rio de Janeiro.

 

CHEGANDO AO RIO

Elis Regina se apresenta no clube em 1965 – MADA PEREIRA

No dia 31 de março de 1964, dia do Golpe Militar, a artista chega ao Rio de Janeiro, capital, acompanhada do pai, procurando expandir a carreira em ascensão. Com nome já reconhecido entre produtores cariocas, por indicação de Armando Pittiglian, em pouco tempo Elis assina contrato com a TV Rio, onde trabalha tanto como atriz em programas como “A Escolinha do Edinho Gordo” (programa que inspira, anos depois, a “Escolinha do Professor Raimundo”), quanto como cantora, se consolidando uma das maiores atrações do programa “Noites de Gala”, dirigido por Ronaldo Bôscoli, com quem Elis se casaria e teria um filho alguns anos depois.

Ainda no primeiro semestre do ano, Elis participa de um teste para trabalhar nos vocais de “Pobre Menina Rica”, novo álbum de composições de Vinícius de Moraes e Carlos Lyra, além dos arranjos de Tom Jobim na, já tardia, bossa nova. A cantora faz os testes e apesar de agradar Vinícius e, principalmente, Lyra, a cantora não causa reação positiva em Tom Jobim, que faz duras críticas à intérprete, retratadas inclusive na cinebiografia “Elis”, de 2016, em que a atriz é interpretada por Andréia Horta.

Com as apresentações na TV, Elis Regina chama atenção de novos produtores locais e é convidada a se apresentar no maior reduto da bossa nova atuante no Rio, o chamado “Beco das Garrafas”, onde fazia shows junto a um trio de jazz em estilo samba-jazz e impressionava a mais pessoas com, além de sua voz, sua presença e imposição no palco.

 

GRANDE SUCESSO

Relançado o vídeo de 'Como Nossos Pais' de Elis Regina | SmoothFM

 

Em 1965, com a vitória do Primeiro Festival da Música Popular Brasileira, Elis começa a se tornar uma enorme celebridade, reconhecida por todos os artistas e produtores de várias esferas musicais, tanto veteranos quanto os novatos. No mesmo ano começa a apresentar o programa “O Fino da Bossa” ao lado do também cantor Jair Rodrigues, que fica no ar até o ano de 1967 na TV Record de São Paulo e gera os discos “Dois na Bossa”, “Dois na Bossa II” e “Dois na Bossa III”, sendo que o primeiro fica como um dos discos mais vendidos em toda a década de 1960.

 

Interpretando grandes músicas do cancioneiro brasileiro e já com grandes e consagrados discos de sucesso, no início dos anos 1970, a artista passa a chamar a atenção principalmente de compositores em todo o Brasil por ser quem conseguia, com a potência de sua voz, dar sobrevida mesmo às melhores canções, além da grande habilidade em escolher as melhores.

Como nunca teve vocação para a composição e poucas de suas músicas saíram do papel, Elis escolhia a dedo os artistas e músicas que incluiria em sua obra, o que fez com que a cantora abrisse portas para os maiores nomes de toda a MPB, como Belchior, Gilberto Gil, Fagner, Tim MaiaChico Buarque e Milton Nascimento. Em entrevista, Raimundo Fagner já contou que, para a geração de artistas dos anos 1970, a maior honra de um compositor era ter suas músicas interpretadas pela gaúcha.

Nesta época, Elis grava suas principais e mais irreverentes músicas, como “Como Nossos Pais”, composição de Belchior, “Tiro ao Álvaro”, de Adoniran Barbosa, “Maria, Maria”, de Milton e “Madalena”, de Ivan Lins. Com o grande retorno e já tida, na época, como a maior cantora do Brasil, a artista começa a traçar projetos, inclusive internacionais, com grandes nomes como o próprio Adoniran e Tom Jobim, com quem grava um disco completo, seu maior sucesso de hits e de vendas. Nesta época, ganha o apelido de “Pimentinha”, dado por Vinícius de Moraes, por ser pequena e explosiva.

 

“ELIS & TOM”

???????????? ???? on Twitter: "Minhas duas vozes preferidas: Elis Regina e Tom  Jobim. #ElisNaGlobo… "

Em 1974, após 10 anos em contrato na Philips, Elis Regina pede para a gravadora um disco inteiro com Tom Jobim, seu maior ídolo na música desde a adolescência. Em oposição à carreira de Elis, que já era consagrada entre público e artistas, mas ainda não tinha o grande aval da crítica, Jobim, no início dos anos 1970, era muito aclamado por toda a crítica, mas já não tinha a mesma popularidade e apelo que havia mantido nos anos de ouro da bossa nova.

Assim, o artista aceita a proposta e convida Elis para gravar nos estúdios da MGM, em Los Angeles, onde os dois passam cinco meses trabalhando em grandes composições e arranjos. Lançado em agosto de 1974, “Elis & Tom” se mostra como um disco essencial, relevante e, ao lado de “Clube da Esquina”, é um dos mais importantes em toda a MPB. Quase 50 anos depois, Elis Regina e Tom Jobim ainda são lembrados, e serão por muito tempo, em canções como “Fotografia”, “Só Tinha de Ser Com Você” e “Águas de Março”, algumas das mais clássicas do gênero.

 

MORTE

A partir do disco com Tom Jobim, Elis se consagra na crítica e, de 1975 em diante participa de vários programas de TV e grava outros seis discos de estúdio. No fim da década de 1970, começa a trabalhar como produtora ao lado de seu marido, arranjador e pianista, César Camargo Mariano, com quem teve dois filhos, incluindo a cantora e compositora Maria Rita.

Em janeiro de 1982, Elis Regina foi encontrada pelo então namorado no chão de casa, após uma overdose causada pelo uso de drogas e álcool em uma festa que havia dado. Aos 36 anos de idade, a cantora chegou já sem vida no hospital.

 

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