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Alvorada Perfil - Fagner e as músicas que levaram o Ceará para o mundo

• 16/10/2020 • Fagner

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Raimundo Fagner Cândido Lopes, conhecido no mundo da música como Fagner, nasceu no dia 13 de outubro de 1949 na cidade de Orós, no Ceará. Mais jovem entre cinco irmãos, o artista, que canta e toca desde a infância, hoje é um dos maiores nomes da música brasileira, e tem como suas maiores influências artistas como Luiz Gonzaga, Orlando Silva e Nelson Gonçalves.

 

JOVEM TALENTO

Por influência da família, Fagner começou a cantar ainda muito novo. Seu pai era um cantor libanês que imigrou para o Brasil, enquanto a família de sua mãe era repleta de músicos, principalmente sanfoneiros. Com as influências, sua voz foi parar em rádios locais ainda aos seis anos de idade. Com um timbre que chamava atenção até dos mais experientes, em 1955 Raimundo Fagner ganhou seu primeiro prêmio, como o melhor intérprete da canção “Mãezinha Querida”, do mineiro Agnaldo Timóteo, em um festival de Dia das Mães do Ceará Rádio Clube.

Continuou cantando e tocando em toda a juventude, chegou a formar alguns grupos, bandas e tocar em shows pequenos e médios na região. Em 1968 venceu um concurso de MPB do Ceará com a música “Nada Sou”, escrita em parceria com Marcus Francisco e, a partir daí, começa a se tornar muito popular no estado, sendo convidado para rádios e TVs. Nesta época, Fagner acaba por se conectar com alguns que seriam grandes expoentes da música cearense, nordestina e, mais tarde, brasileira no que foi chamado, primeiro pela imprensa, e depois por eles mesmos, de “Pessoal do Ceará”.

 

PESSOAL DO CEARÁ

Junto de Belchior, Amelinha, Jorge Mello, Rodger Rogério, Ednardo, Téti e Ricardo Bezerra, Fagner foi também integrante do “Pessoal do Ceará”, movimento que teve seu auge no início dos anos 1970 e seguiu com atividades dispersas até os anos 1980. Por causa do movimento, durante este período, a música do estado começou a ser mais procurada e ouvida pela primeira vez em todo o país, principalmente devido ao sucessos das composições de Fagner, Belchior e Ricardo Bezerra em músicas como  “Cavalo de Ferro” (de Fagner e Ricardo Bezerra) e “Mucuripe” (de Fagner e Belchior), música que já foi interpretada por artistas como Roberto Carlos, Elis Regina, Djavan e Oswaldo Montenegro.

Apesar de forte nome dentro do movimento, Fagner não chegou a participar de nenhum dos dois discos lançados que levava o nome do grupo. Isso porque na época da gravação do primeiro deles, Fagner, assim como Belchior, já produzia seus álbuns e projetos solo. Já no segundo disco, gravado como um reencontro em 2002, o possível motivo para que Fagner não tenha participado são as desavenças, que nunca foram bem esclarecidas, que o artista teve com Belchior.

 

ASCENSÃO E AUGE DA CARREIRA

Em 1970, Fagner se muda para Brasília para estudar Arquitetura na UnB e no mesmo ano participa do Festival de Música Popular do Centro de Estudos Universitários de Brasília, O cantor, ainda pouco conhecido na região, acaba por ser o maior destaque de todo o festival: “Mucuripe” fica em primeiro lugar na classificação geral, “Manera fru fru, manera” ganha o prêmio de melhor arranjo, “Cavalo de Ferro” fica com o prêmio especial do júri e  Fagner é classificado o melhor intérprete, também por “Manera fru fru, manera”.

Devido ao festival e também à sua participação em diversos programas, além da difusão do Pessoal do Ceará, no início dos anos 1970, Fagner já havia gravado parcerias e se mostrado um enorme potencial dentro da música brasileira. Logo se mudou para o Rio de Janeiro e em 1973 fechou seu primeiro contrato e lançou “Manera Fru Fru, Manera: O Último Pau de Arara”, seu primeiro disco solo, em que fez homenagens a suas memórias de infância, à sua cidade natal e ao povo nordestino.

Gravado pela Polygram (hoje Universal Music), o disco é considerado um dos primeiros trabalhos da ‘invasão nordestina’ na MPB. Nele, Fagner lançou músicas como “O Último Pau de Arara”, “Macuripe” e “Canteiros”, além de ter contado com a participação de Nara Leão e Naná Vasconcelos, duas cantoras já consagradas na época.

Morando no Rio, Fagner se aproxima de muitos artistas e produtores, em especial Elis Regina e seu marido Ronaldo Bôscoli, que o ajudam na consolidação de sua carreira. Até o fim da década de 1970, Fagner lança seis álbuns completos, além de compactos solo e em parcerias. Apenas em 1978, porém, com o disco “Eu Canto” foi que o cantor conseguiu fazer sucesso comercial pela primeira vez e fechou novo contrato, desta vez para ser também produtor. Como produtor, lançou para o grande circuito muitos de seus amigos do Pessoal do Ceará e novos nomes da música nordestina, como Amelinha e Zé Ramalho

Nos anos 1980, Fagner já era um dos maiores artistas da MPB. Chamando muita atenção com seu timbre de voz, instrumentais melódicos e letras poéticas, o artista começava a tocar para enormes multidões em shows como o festival da MPB de 1980. Chama atenção de artistas de todos os gêneros e de vários países, como a argentina Mercedes Sosa além do poeta Jorge Amado, que o chamou de “artista evidente e definitivo”.

A todo vapor nas apresentações, Fagner cria cada vez mais pontes, se junta a numerosos outros artistas e bandas em festivais como o 12º Festival da Juventude, em Moscou, onde também participam Blitz e Gonzaguinha. Ainda assim, a produção dos novos trabalhos de Fagner não ficam para trás nos anos 1980 e grava com enormes artistas como Luiz Gonzaga, Chico Buarque, Roupa Nova e Ney Matogrosso.

 

VOLTANDO PARA O CEARÁ

Nos anos 1990, Fagner lança grandes discos e alguns de seus maiores sucessos, como a música “Borbulhas de Amor”. Para além de grandes composições e novos sucessos, durante esta década de 90, o artista se dedica a novos estilos e gêneros, gravando grandes músicas da bossa nova, clássicos em espanhol e também do forró, entre outras vertentes.

Em 1995 se muda para Fortaleza, onde volta a fixar suas raízes na música que fazia nos anos 1970. No mesmo ano lança “Retrato”, um disco de estúdio com músicas compostas na época, mas que permaneciam inéditas para seus fãs até então e, um ano mais tarde celebra seu vigésimo disco de carreira.  

Dos anos 1990 até então, Fagner permanece em Fortaleza e continua apoiando grandes artistas da região e se juntando com seus amigos. Em 2003 lança um álbum em parceria com Zeca Baleiro, artista que “apadrinhou” no início da carreira, além de um DVD ao vivo gravado na turnê nacional feita pela dupla; em 2014 produziu também um álbum e DVD ao vivo com Zé Ramalho.

Recentemente, o cantor e compositor adiou o novo álbum de inéditas, que está em produção há mais de 5 anos, para dar espaço a um novo projeto de álbum com clássicas músicas seresteiras, principalmente sucessos dos anos 1930.

 

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