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Alvorada Perfil - Relembre a carreira de Sérgio Britto, o maior compositor dos Titãs

• 18/09/2020 •

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Sérgio de Britto Álvares Affonso, mais conhecido como Sérgio Britto, é um músico multi instrumentista, cantor e compositor por trás de grande parte das composições dos Titãs. Nascido no Rio de Janeiro em 1959, em sua infância Sérgio Britto nunca se fixou muito em apenas um lugar.

Ainda muito novo se mudou para Brasília, e, quando tinha apenas 6 anos, sua família precisou se mudar para o Chile, onde acabou sendo alfabetizado também em espanhol. Seu pai, Almino Afonso, que era deputado federal pelo PTB e grande crítico do governo, precisou fugir da ditadura militar no Brasil, instaurada em 1964.

Por influência dos pais, Britto cresceu em meio a arte conhecida como mais "erudita". No Chile escutava músicas clássicas, como sinfonias de Beethoven e Chopin enquanto estudava pintura e, por muito tempo, até sonhava em ser pintor. 

Em entrevista feita através de live pelo instagram da Alvorada FM em julho de 2020, o artista afirma “Eu quando era menor, criança mesmo, eu tinha uma paixão por pintura, achei que ia ser pintor. Fazia cursos, desenhava o dia inteiro e, aos poucos comecei a me envolver com música”. Com grande olhar para artes plásticas, hoje Britto pratica desenho e pintura e já fez ou idealizou a arte de vários dos álbuns dos Titãs, incluindo um dos mais recentes “Nheengatu

Seu primeiro contato com outros gêneros, como o pop e o rock, que dominaria sua carreira por muito tempo, foi por volta dos 13 anos através da irmã. Ela, que já tocava violão, apresentou ao irmão o álbum “Help!” dos Beatles, uma grande influência do artista até hoje. “Aquilo me chamou muita atenção, porque era uma música popular, mas carregada de sentido e com uma qualidade indiscutível”, afirma. 

Com estas composições em mente, Britto afirma também que se encantava muito com a possibilidade de fazer canções. “Essa coisa de se poder dizer algo nessa mistura de música com poesia, aquilo me seduziu, e a partir dali eu comecei a me arriscar a fazer música”, conta.

Quando o artista tinha apenas 14 anos, o Chile também sofreu golpe militar e a família toda voltou ao Brasil e se mudou para São Paulo. Na época, Britto já começou a tomar aulas de piano tocando principalmente músicas clássicas, mas logo passou a aprender grandes nomes do rock da época, como The Who e Led Zeppelin, além de Música Popular Brasileira.

Durante sua época no colégio, começou a compor, ler e escrever poesia e, em 1982, conheceu Arnaldo Antunes, que já estava no meio musical da cidade e tocava em pequenas bandas e festivais. Foi com sua composição “Go Back” que os artistas se aproximaram. A música acabou entrando para o álbum de estreia da banda que formaram pouco tempo depois com outros seis jovens músicos, os Titãs.

 

TITÃS

Formada mais tarde em 1982, a banda de pop rock chamava atenção já em sua formação, tanto de integrantes quanto de palco. Inicialmente a banda era composta por 9 membros: Arnaldo Antunes, Branco Mello, Marcelo Fromer, Nando Reis, Paulo Miklos, Sérgio Britto, Tony Bellotto, Ciro Pessoa e André Jung, mas Ciro acaba deixando a banda antes mesmo da gravação do primeiro álbum. 

A quantidade de pessoas no palco já era um fator para que os Titãs se destacassem, mas além disso, a movimentação de todos eles era incansável, já que ninguém era fixo na primeira, segunda ou terceira voz e nem na maioria dos instrumentos, deixando os primeiros shows já muito marcantes para a época e, em pouco tempo, a banda já estava entre as maiores rádios e programas de TV.

Participando, assim, do “boom” do rock no Brasil e trazendo o gênero à tona, os os Titãs fizeram sucesso inesperado já nos próximos anos e acabaram lançando mais álbuns, projetos, participando de grandes festivais e shows nacionais e internacionais. Sérgio Britto lembra: “na época em que a gente começou, bandas de rock não faziam sucesso e nem eram levadas a sério, aquilo [o sucesso] parecia muito distante de nós, mas o nosso sonho era só esse, poder gravar um disco, lançar um single, coisas pontuais”. 

Na composição da banda, além de cantar, tocar teclado, piano e baixo, Britto é o membro que mais compôs músicas para os Titãs, incluindo grandes hits como "Marvin", "Homem Primata", "Comida" e "Epitáfio". 

Entre as décadas de sucesso dos Titãs, muitos dos artistas, como André Jung saíram para seguir carreira solo enquanto outros, como Charles Gavin, entraram para a composição da banda, que hoje segue com o apelidado “trio de ferro”, composto por Britto, Branco Mello e Tony Bellotto, que continuam lançando álbuns e novos projetos, como o "Opera Rock" e o  “Titãs Trio Acústico”. 

 

Carreira Solo

Em paralelo com os projetos da banda, no ano de 2000, Sérgio Britto passou a dedicar parte de seu tempo e repertório para experimentar novos estilos e formas em sua carreira solo. Atualmente com 4 discos de estúdio, que transitam entre diferentes gêneros e referências, Britto se mostra cada dia um artista mais completo e aberto a novas experiências, incluindo um trabalho inteiro baseado em poesias e um dedicado à bossa nova em “Purabossanova” (2013). 

Criando estes diferentes estilos em sua carreira e extrapolando as expectativas, encontrar e traçar grandes parcerias também é parte da característica de Britto como artista. Somente nos últimos anos, o cantor já fex trabalhos com artistas como Wanderléa e Negra Li em seu terceiro álbum solo “Sp 55”; Luiz Melodia Rita Lee em “Purabossanova”; além de ter sido convidado para participar de trabalhos de outros artistas como Supercombo e Luiza Possi.

Segundo Sérgio, sua carreira solo e na banda acabam se fundindo, mas tenta separar as duas coisas basicamente nos extremos, mesmo que muitas de suas composições que se aproximam do pop, por exemplo, caibam nos dois formatos. “Tem algumas composições mais rock and roll, mais nervosas, que obviamente são pros Titãs e as coisas que são mais melódicas, harmonicamente mais complexas, são muito a cara do meu trabalho solo”.

Assista, abaixo, a live da Alvorada FM em que o cantor e compositor fala sobre sua carreira solo, o início dos Titãs e sua formação na música

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